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Vereador nega homofobia após ameaçar prender Pabllo Vittar

Ezequiel Bueno (PRB-PR) alegou que nem conhece a artista

RIO — O vereador que lamentou a contratação de Pabllo Vittar para show em Ponta Grossa — uma “cidade de família”, segundo ele — e chegou a ameaçar prender a artista negou que seu discurso na Câmara Municipal tivesse caráter homofóbico. Na segunda-feira, o pastor Ezequiel Bueno (PRB-PR) gerou revolta de fãs, entidades LGBT e defensores da diversidade sexual ao criticar que o município recebesse “esse tipo de show. Ele citou um boato de que Pabllo e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) fariam uma turnê por escolas para ensinar diversidade sexual a crianças. A história foi desmentida em setembro. O representante destacou que “nem conhece” Pabllo Vittar e que não queria ofendê-la.

— Jamais, isso eu nunca fiz (ofender homossexuais). Um grupo LGBT veio até a Câmara, e teve o momento de voz dele (em protesto nesta quarta-feira). Faz cinco anos que sou parlamentar e nunca ofendi. Estou só defendendo o dinheiro do erário, não aceito que usem (dinheiro público) em festa terceirizada. Tanto esse cantor, que eu não sei quem é, não conheço, quanto outro, com meu dinheiro, do contribuinte, não admito — defendeu o policial militar aposentado.

Em nota, a Munchen Fest explicou que não há investimento público direito na festa de tradições alemães. Em 2014, o evento foi terceirizado, e a Prefeitura passou a ser responsável pelo desfile de blocos, o concurso de rainha e o apoio operacional, como o reforço de segurança e trânsito. A organização repudiu “atos que escondem a verdade” e “qualquer atitude que incite o preconceito e a homofobia”.

Ezequiel Bueno frisou que julga “importante respeitar a opinião de todos” e negou que tenha ameaçado prender Pabllo Vittar se ele saísse às ruas de Ponta Grossa. “Quem quiser assistir, se não for com meu dinheiro, sem problema nenhum, pode ir. Mas só lá (no festival) também, porque, se inventar de sair para a rua e para as escolas, eu vou lá e vou prender, nem que depois eu seja preso por abuso de autoridade”, disse no discurso de segunda-feira. O vereador ressalta agora que a afirmação da prisão se referia apenas ao ensino de diversidade sexual nas escolas — o boato.

— Eu afirmei em relação a ir às escolas. Isso vai existir, pessoas estão indo ensinar, fazer ideologia nas escolas. A gente não quer nas nossas escolas. Não falei de uma pessoa. É que não pode ir lá, então, se for, pode ser encaminhada aos órgãos competentes, pode acarretar em uma sanção. Não tem cabimento (dizer que prenderia se fosse às ruas). Uma pessoa andar não tem problema. Isso é um direito de todos — destacou o pastor, que ainda relacionou a este ponto o trecho polêmico: “Abriu a porta, entrou, aí é complicado”.

Quanto ao boato, uma nota de seu gabiente ressaltou que a história foi veiculada “por diversos meios de comunicação”. Assim, a confirmação de que Pabllo iria a Ponta Grossa “evidentemente trouxe preocupação ao parlamentar”, que decidiu ir à tribuna da Câmara para defender o Plano Municipal de Educação, do qual foi excluído o tema de diversidade sexual infantil nas salas de aula.

Jean Willys precisou desmentir, mais uma vez, de que não vai visitar escolas do Paraná com a cantora Pabllo Vittar para falar de diversidade sexual com crianças.

Procurada, a assessoria de Pabllo Vittar informou que o artista não se pronunciará sobre o assunto. Além dela, a München Fest terá apresentações de Anitta, Felipe Araújo, Thaeme & Thiago, Henrique & Juliano e Capital Inicial entre os dias 5 e 10 de dezembro.

 

Fonte: O Globo

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