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Não é só no Brasil. Ex-presidente da Coreia do Sul é condenada a 24 anos de prisão e começa a cumprir a pena

Park Geun-hye foi declarada culpada por corrupção, abuso de poder e outros delitos. Qualquer semelhança com a realidade brasileira, não é mera coincidência

SEUL — A ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye foi condenada a 24 anos de prisão, nesta sexta-feira, por corrupção e abuso de poder. A ex-líder, de 66 anos, foi declarada culpada por negociar propinas milionárias de empresas multinacionais, pelo compartilhamento de documentos secretos do estado, pelo corte de subsídios a artistas críticos ao governo e pela demissão de autoridades que resistiam ao seu abuso de poder. Ela foi presa em março deste ano.

O juiz Kim Se-yoon considerou que Park “abusou do poder conferido a ela pelo povo, que manda no país, para causar o caos na administração nacional”. A promotoria havia pedido pena de 30 anos em regime fechado. A ex-presidente deixou o cargo em março do ano passado, alvo de um processo de impeachment em meio ao escândalo de tráfico de influência. Seu antecessor no poder, Lee Myung-bak, também está sob custódia e é investigado por corrupção.

A queda da ex-presidente começou em meados de 2016, quando foi revelado que sua amiga e confidente, Choi Soon-sil, que nunca ocupou nenhum cargo oficial, aproveitou sua influência para conseguir que grandes companhias sul-coreanas lhe pagassem milhões de dólares. Assim, ela conseguiu US$ 70 milhões para as fundações que controlava, uma soma que utilizou para fins pessoais.

A sentença de Park chega três semanas depois de Choi ser condenada à prisão por 20 anos por aceitar subornos dos “chaebol”, ou conglomerados — inclusive da Samsung, potência do setor de eletrônicos, e da Lotte, gigante varejista. De acordo com o juiz Kim Se-yoon, Choi capitalizou seus “longos laços privados” com Park para solicitar subornos e “se intrometia amplamente nos assuntos de Estado”. Choi já cumpria uma pena de três anos por outra acusação de corrupção, após ter sido declarada culpada de usar sua posição para solicitar favores para sua filha.

Park (ao centro, conduzida por agentes) deixa o local onde prestou depoimento antes de a Justiça aprovar sua detenção – Ahn Young-joon / AP

Shin Dong-Bin, presidente do grupo Lotte, de 62 anos, é acusado de ter entregado cerca de US$ 7 milhões em subornos para a ex-presidente Park Geun-Hye e sua confidente. O escândalo também respingou na principal empresa do país, a Samsung, cujo vice-presidente, Lee Jae-Young, foi detido no mês passado por conexão com o mesmo caso.

BOICOTE E PROTESTO

O escândalo de corrupção expôs o elo entre grandes empresários e políticos na Coreia do Sul e abalou a elite empresarial e política da nação asiática. A revelação das ilegalidades suscitou protestos em massa contra Park no ano passado. Nesta sexta-feira, porém, a decisão foi recebida com desalento nas ruas, onde se reuniram apoiadores da ex-líder. Manifestantes sentaram-se na calçada para chorar ou marcharam em protesto contra a pena.

“A lei foi morta neste país hoje”, destacou Han Geun-hyung, 27 anos, um apoiador de Park, a primeira mulher a ocupar a presidência sul-coreana.

Park não compareceu ao julgamento desta sexta-feira, que foi transmitido ao vivo na televisão do país. A ex-líder promoveu um boicote às sessões judiciais como protesto por estar sob custódia. A defesa tem sete dias para entrar com recurso e tentar reformar a condenação.

Trata-se da terceira líder da Coreia do Sul condenada por crimes após deixar o cargo. Chun Doo-whan e Roh Tae-woo foram declarados culpados por traição e corrupção nos anos 1990.

Fonte: O Globo

 

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