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Jovem de Espigão D’Oeste fala sobre estreia como atriz no filme ‘Amor de Mãe’, em RO

Leila Lopes, de 18 anos, faz o papel principal no longa ao lado do ator da Globo Anselmo Vasconcelos. Estreante, jovem planeja consolidar carreira no Rio de Janeiro.

As lembranças de uma infância difícil, regada a poucos recursos e maturidade precoce, deram lugar a um riso frouxo de satisfação à jovem Leila Lopes, de 18 anos. Ela, que saiu do interior de Espigão D’Oeste (RO), município a poucos mais de 540 quilômetros de Porto Velho, se vê hoje em um mundo que não existia nem nos seus melhores sonhos: o de atriz.

Leila é a intérprete da personagem principal do filme “Amor de Mãe”, produção rondoniense que estreou na última semana. No longa, a jovem vive a ribeirinha Francine, mulher de Chico Boto, personagem do ator da Globo e diretor Anselmo Vasconcelos. Esse é o primeiro papel da carreira da atriz.

“Sempre quis ser atriz e já queria um papel em filme, nem que fosse só de figurante, só pra passar rapidamente em cena. Mas nunca imaginei começar assim, logo com o personagem principal nas minhas mãos”, disse Leila.

Tudo começou no ano passado, durante uma oficina ministrada por Anselmo em Porto Velho. Em meio à testes e exercícios aplicados pelo ator, já com a ideia de produzir um filme predominantemente local, Leila viu a chance de um começo.

“O Anselmo disse pra que eu falasse um xingamento da minha forma e fiz. Não sei como, mas a forma como falei despertou a curiosidade dele”, explicou.

O teste foi o ponto de partida para tentar a vaga como Francine. Leila teve, então, que encarar a cena mais emocionante do filme: o parto. “É a cena com maior carga emocional, pois você precisa incorporar aquela situação. Dei tudo de mim e fiz”.

A jovem ainda lembra das locações principais do longa. As filmagens aconteceram principalmente na Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM) e no Rio Madeira. Tudo ocorreu em menos de uma semana, em fevereiro deste ano. “Nós filmamos no meio de um bloco de carnaval aqui em Porto Velho também. Foi divertido”, disse.

Com a estreia e a boa recepção do filme, a jovem planeja se mudar para o Rio de Janeiro e tentar carreira na cidade. “Lá em Espigão D’Oeste eu só estudava mesmo. É uma cidade bem pequena, então não tem muita oportunidade. Tanto que aqui já é difícil, na capital. Se eu quiser algo a mais, terei que ir pro Rio de Janeiro. E vou”, explicou.

Infância difícil
De uma família humilde e de sete irmãos, Leila lembra que, nos primeiros anos de vida, brincava em meio ao barro, madeira e pouco recurso. “Minha casa era de madeira quase caindo em um barranco. Mas eu continuava sorrindo”, disse.

De pais pobres, Leila foi uma criança doente. Chegou, inclusive, a passar fome junto com os irmãos. Foi quando um casal começou a cuidar de Leila, depois que ela fez amizade com uma menina de idade próxima.

“Eu brincava com ela e os pais dela me ajudavam. Eles ficaram assustados com minha aparência. Eu tinha verme e passava fome. Quase morri. Foi quando eles me pegaram pra criar. Meus pais biológicos não tinham recursos”, explicou, emocionada.

Apesar da infância dura, Leila faz questão de lembrar de onde veio, o que a ajuda a manter os pés no chão. “Acho que foi necessário tudo o que passei para ganhar a maturidade que tenho hoje. Meus pais adotivos me apoiam muito, mesmo sendo conservadores. Tenho o amor deles e é isso que importa”.

Quem é Francine?
Leila Lopes descreve sua personagem como uma mulher guerreira. Segundo a atriz, Francine é uma jovem ribeirinha, com descendência indígena, que luta pelo que quer. Inocente, se vê casada ainda muito jovem com o pirata Chico Boto.

“A Francine representa a força que a mulher tem. Ela se casa muito jovem. O filme mesmo termina de forma trágica, apesar do casal se amar muito. Aprendi muito com ela”, explicou.

“Hoje tenho mais de Francine do que de Leila”, diz.
Amor de Mãe

“Amor de Mãe” conta a história de um jornalista, correspondente de jornais internacionais, que está preocupado com a desertificação das florestas.

Ele parte para Porto Velho onde conhece o capitão Anselmo, interpretado por José Lacerda, que lhe conta sobre os piratas do Rio Madeira.

O filme segue em cartaz no Cine Veneza, localizado na rua Joaquim Nabuco, 1976, região central de Porto Velho.

Na noite de quarta-feira (5), a Rondônia Cinematográfica disponibilizou duas sessões extras do filme. Parte do valor do ingresso, R$ 10, foi revertido para Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (NACC).

 

Fonte: G1/RO

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