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Venezuelanos eram mantidos escravos por empresário de Ji-Paraná

O responsável por uma empresa de Ji-Paraná (RO) foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pelos crime de tráfico de pessoas, redução à condição análoga à de escravo e racismo contra trabalhadores venezuelanos.

De acordo com a denúncia, o homem teria ido até Roraima para contratar venezuelanos para sua empresa, com a promessa de transporte e alimentação até chegar em Rondônia, e moradia em Ji-Paraná sem que essas despesas fossem descontadas no primeiro salário.

As vítimas, no entanto, contaram que o acordo não foi cumprido. Elas tiveram passagens, alimentação e aluguel descontados, ficaram sem salário e receberam apenas um empréstimo de R$ 200, ficando em uma situação de servidão por dívida.

Confira a denúncia do MPF na íntegra

Seis venezuelanos dormiam em cima de papelão nas dependências da empresa, em quartos sem janelas com buracos no teto, a louça precisava ser lavada em uma bacia e não havia filtro de água no local. Uma das vítimas ainda contou que chegou a morar durante um período na antiga casa do cachorro do dono da empresa.

Outra vítima contou que foi demitida alguns meses depois de ter sido contratado e recebeu apenas R$ 60. Passou um tempo abrigado em uma igreja evangélica, mas o antigo patrão teria começado a seguir o pastor e rondar a igreja, e por isso o venezuelano decidiu deixar o local “para não causar problemas”.

Além de tráfico humano e condições análogas à escravidão, o acusado foi denunciado por racismo. As vítimas afirmaram que eram tratadas com discriminação, xingamentos, agressividade e eram menosprezados por serem venezuelanos.

Os homens eram proibidos de usar celular, de manter contato com outras pessoas e vigiados por oito câmeras instaladas na empresa. Quando ficavam doentes, outros funcionários da empresa eram proibidos de oferecer atendimento médico.

Em uma noite, as vítimas conseguiram fugir da empresa, deixando documentos pessoas e objetos. Disseram não ter voltado ao local por medo de serem agredidos.

Segundo a denúncia, os crimes aconteceram em 2018. O caso deve ser julgado pela Justiça Federal em Ji-Paraná.

Fonte: G1
Imagem Ilustrativa

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